Assassinato em academia do PR: relacionamento entre vítima e esposa do autor aconteceu meses antes do crime, diz delegado

  • 09/01/2026
(Foto: Reprodução)
Homem é assassinado em academia do PR após emboscada em estacionamento O relacionamento entre David Schmidt Prado e a esposa de Lucas Wancler Ferreira dos Santos aconteceu quatro meses antes do assassinato da vítima. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (9) pelo delegado Magno Miranda, da Polícia Civil (PC-PR), que lidera as investigações. Lucas esfaqueou David ao menos cinco vezes até a morte. O crime aconteceu em uma academia de Londrina, no norte do Paraná, na segunda-feira (5), e foi filmado por câmeras de segurança. Assista acima. Conforme o delegado, a mulher disse no depoimento que é casada com Lucas, mas os dois iniciaram o processo de separação há alguns meses - desde antes do relacionamento com David - e estavam morando em casas separadas. Atualmente, os dois estavam trocando mensagens apenas para falar sobre os filhos, de cinco e 13 anos. ✅ Siga o canal do g1 Londrina no WhatsApp Quando se relacionou brevemente com David, ela contou a Lucas sobre o caso. Na ocasião, Lucas e David conversaram por telefone, segundo o depoimento da mulher. Não foram divulgados detalhes sobre esta conversa, mas o delegado afirma que os dois não se encontraram pessoalmente. "Segundo o que a gente colheu de relato de testemunhas, a motivação está diretamente ligada [ao relacionamento]. Não digo nem ciúmes, digo uma revolta, haja vista que eles estavam separados e ele descobriu esse fato", disse Miranda. Lucas foi até David no momento em que ele estava saindo da academia, em Londrina. Reprodução Leia mais: Homem que armou emboscada sequer conhecia a vítima que matou a facadas em academia, diz polícia Ainda de acordo com o depoimento, David e a mulher não estavam mais se encontrando ou mantendo contato. Para o delegado, "a autoria é incontestável". Ele avalia que Lucas planejou o assassinato, por estar com uma faca esperando David sair da academia. A princípio, o crime é considerado homicídio qualificado por meio cruel e pela dificuldade de defesa da vítima. O inquérito não foi finalizado e aguarda o laudo de necropsia. Lucas ficou em silêncio durante o depoimento. Na audiência de custódia, realizada na quarta-feira (7), também não prestou esclarecimentos. Apesar do pedido da defesa para que ele responda ao inquérito em liberdade, o juiz determinou a prisão preventiva. Navegue nesta reportagem para relembrar o caso: Como foi o crime Policial de folga realizou prisão em flagrante Quem é a vítima O que diz a defesa Como foi o crime Conforme o relatório da Polícia Civil, as imagens das câmeras mostram Lucas sentado no estacionamento da academia, mexendo no celular, às 18h41 da segunda-feira. Quando David passou por ele, saindo do treino, Lucas se levantou e escondeu a faca atrás do corpo enquanto se aproximava da vítima. Os dois conversaram brevemente antes de David ser ferido pelo primeiro golpe. Ele tentou fugir, mas foi atingido cinco vezes: quatro enquanto estava no estacionamento e uma depois de pular a catraca e buscar ajuda dentro da academia. Momento em que Lucas aborda David e esconde a faca atrás do corpo. Reprodução O relatório da polícia ainda cita que, enquanto David "clamava por socorro e por atendimento médico", Lucas ficou "observando por vários segundos o sofrimento imposto, sem prestar qualquer auxílio". O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) foi à academia, mas David não resistiu aos ferimentos e morreu. O corpo da vítima foi levado pela Polícia Científica de Londrina. Policial de folga realizou prisão em flagrante Na academia, havia um policial militar que treinava durante a folga. Ele rendeu Lucas e impediu que as agressões continuassem. "No momento eu imaginei que fosse um assalto. Não estava entendendo o que estava acontecendo. E nesse momento ele começou a gritar 'chama a ambulância, chama a ambulância, socorro, me ajuda', e saia muito sangue dele. Peguei meu celular para ligar para a ambulância. E na hora que eu retornei, eu percebi que tinha um cara armado, e nisso eu saquei a arma. No momento que eu saquei a arma, ele jogou a faca no chão e comecei a dar voz de abordagem para ele, pedindo para ele ir pro chão", o policial militar explicou em depoimento. Momento em que o policial militar segura Lucas. Reprodução Em seguida, o policial relatou que imobilizou Lucas e o questionou o motivo das agressões. "[...] eu perguntei para o autor, falei 'cara, porque você fez isso?'. E ele falou que parece que a vítima tinha mexido com a mulher dele. Nessas palavras que ele falou: 'ele mexeu com a minha mulher'", disse. A Polícia Militar (PM-PR) esteve no estabelecimento, conduziu Lucas à delegacia e apreendeu a faca usada no homicídio. Leia também: Três cidades, três estados e dois países: rua no PR permite cruzar fronteiras em poucos passos Suspeitos presos: Vendedor de ouro é encontrado morto e enterrado em quintal no PR Ivaté: Motorista de ambulância morre atingido por novilha 'lançada' contra ele Quem é a vítima David Schmidt Prado tinha de 37 anos e, segundo familiares, deixou um filho de seis anos. Ele trabalhava no setor administrativo de uma rede de postos de combustíveis em Londrina. A família dele é de Cornélio Procópio, cidade a 67 quilômetros de distância e onde aconteceu o sepultamento, nesta quarta-feira (7). David Schmidt Prado, de 37 anos, morreu após ser esfaqueado dentro de uma academia de Londrina. Cedida/Família O que diz a defesa Lucas foi preso e permaneceu em silêncio durante o depoimento. Reprodução Em nota divulgada na terça-feira (6), a advogada Thais Indiara Pereira dos Santos, que representa Lucas, afirmou que se trata ainda de uma investigação inicial. Leia na íntegra: "Em relação aos fatos recentemente divulgados, a defesa técnica esclarece que o caso encontra-se em fase absolutamente inicial de apuração, ainda pendente de análise judicial e produção completa de provas. Neste momento, qualquer juízo definitivo sobre autoria, motivação ou enquadramento jurídico revela-se precipitado e incompatível com o devido processo legal. A defesa acompanha os atos investigativos, confia no trabalho das autoridades constituídas e exercerá plenamente o contraditório e a ampla defesa no momento e no local adequados, que são os autos do processo. A defesa não concorda com a divulgação e utilização de provas ou conteúdos vazados dos autos, tais como interrogatórios, imagens ou registros do local dos fatos, por entender que a exposição indevida de elementos probatórios compromete a regularidade da investigação, o direito de defesa e a própria lisura do processo penal. Reitera-se que o respeito às garantias constitucionais, especialmente à presunção de inocência e ao direito ao silêncio, é essencial para a condução equilibrada e justa de casos de alta repercussão social." O g1 entrou em contato com a advogada nesta sexta-feira (9), mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Norte e Noroeste.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/01/09/assassinato-em-academia-do-pr-atualizacao.ghtml


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